terça-feira, 28 de junho de 2011

O que fazer quando encontrar um animal selvagem ferido ou debilitado?

Muitas pessoas encontram animais selvagens fora do seu habitat natural mas não sabem como proceder nem com que entidades contactar.






Se encontrar um animal ferido ou debilitado deverá:


1 – Evitar ao máximo perturbá-lo, minimizando o barulho, tempo de manipulação e o contacto com as pessoas;

2 – Usar uma toalha ou pano para cobrir a cabeça do animal (evita estímulos visuais, acalmando-o) e colocá-lo numa caixa de cartão adequada ao seu tamanho, com pequenos furos para que possa respirar. Ter muita atenção ao focinho e às garras para não ser magoado!

3 – Não manter o animal em sua posse mais tempo do que o estritamente necessário e apenas prestar os  primeiros-socorros se tiver conhecimentos para tal.

4 – Entrar de imediato em contacto com:


SEPNA-GNR:217 503 080  - Email: sepna@gnr.pt -
SOS Ambiente e Território: 808 200 520
CERVAS:962714492
Parque Natural ou Área Protegida mais próxima.



Nunca transporte animais para casa!

quarta-feira, 15 de junho de 2011

A importância dos animais nos desastres naturais

Porque é que os animais são tão importantes nos desastres naturais??

Alguns acontecimentos fortalecem a teoria de que os animais são dotados de um “sexto sentido”, ou seja, uma relação muito próxima com os segredos da natureza... Os irracionais parecem ter premonição, pois conseguem prever as catástrofes ambientais! Por eles terem os sentidos mais aguçados que os do ser humano, são capazes de captar vibrações e mudanças na pressão do ar e até as ondas que vêm do centro da terra, fugindo depois para encontrarem um local seguro.
De qualquer maneira um facto é certo, os animais sabem o que vai acontecer muito antes de nós. As pesquisas acerca do comportamento animal merecem ser aprimoradas, procurando encontrar uma fórmula de permitir que os animais sirvam futuramente como um sistema de alerta para os seres humanos frente as grandes manifestações da natureza.
Os cientistas podem detectar sinais que mostram as possibilidades de um terremoto (como as pressões sísmicas, modificações dos campos magnéticos, inclinação do solo, etc.), mas todas estas técnicas não permitem prever com exactidão quando acontecerá uma catástrofe. Na China, um grupo de especialistas em sismologia em Nanning, província de Guangxi, decidiram usar cobras para prever abalos sísmicos. Monitorizam, 24 horas por dia, um conjunto de cobras e os seus ninhos, com o intuito de prever tremores de terra. Eles acreditam que as cobras podem sentir a libertação de energia que dá origem aos tremores de terra cerca de 120 horas antes de os sismógrafos os registarem e de os humanos sentirem o chão a tremer debaixo dos pés. As cobras são, segundo os pesquisadores, os animais que mais rápido dão sinal de movimentos na crosta terrestre, embora acreditem que todos os répteis têm capacidade de sentir estas alterações. Nas horas que antecedem um abalo, o comportamento das cobras é errático e agressivo, chegando a atirar-se repetidamente contra as paredes ou vidros dos espaços onde estão confinadas.
O histórico de catástrofes ambientais anunciadas pelos animais é muito antigo. Oficialmente o interesse pelo tema iniciou em 1975 quando os funcionários da cidade chinesa de Haicheng foram surpreendidos pelo comportamento anormal dos animais e resolveram evacuar a cidade de 90 mil habitantes. Pouco depois um terremoto de escala 7.3 atingiu a cidade destruindo 90% dos edifícios.
Existem muitos relatos de testemunhas que viram aves e animais migrando antes de terremotos, maremotos e erupções vulcânicas.
O veterinário PhD Robert Eckstein, estudioso do comportamento animal no departamento de biologia da Warren Wilson College, em Asheville, Estados Unidos, afirma: "Eles sentem aspectos do mundo real que nós não temos conhecimento."
Por: Vininha F. Carvalho

Os animais são sem dúvida sensitivos naturais!

terça-feira, 7 de junho de 2011

Abetarda, a desconfiada!

Uma das espécies mais emblemáticas do Alentejo, a abetarda é a mais pesada das aves europeias, mas também uma das mais difíceis de observar.


A Otis tarda é uma ave muito grande, chegando os machos a pesar 16 kg. As fêmeas são um pouco mais pequenas, sendo a diferença visível quando estão perto dos machos. A plumagem é castanha e o pescoço esbranquiçado. Devido ao seu comportamento muito arisco, as abetardas raramente se deixam ver a pequena distância, pelo que estes aspectos nem sempre são fáceis de observar.



Esta é uma ave muito pouco comum e com uma distribuição muito localizada, a abetarda muito difícil de encontrar fora dos seus locais habituais de ocorrência. A espécie conta hoje em Portugal com uma população de cerca de 1000 indivíduos (metade dos quais se encontram nas planícies de Castro Verde). Frequenta sobretudo grandes extensões abertas e dificilmente tolera aproximações de pessoas a menos de 1 km. Embora a espécie seja sobretudo residente, é habitual haver alguma dispersão de indivíduos nos meses de Verão, havendo então observações esporádicas de abetardas noutras regiões do país.



Ameaças

Intensificação da agricultura, florestação das terras agrícolas, expansão de cultivos lenhosos, construção de estradas, albufeiras, outras infraestruturas, ceifa e a lavoura de pousios, abandono agrícola e do pastoreio extensivo, sobrepastoreio, utilização de agro-químicos, colisão com linhas aéreas de transporte de energia, expansão urbano-turística, perturbação provocada pelas actividades humanas e predadores de ovos e crias.




Objectivos de Conservação
- Manter ou melhorar as áreas de reprodução e alimentação. 
- Recuperar os efectivos da população nas suas áreas de distribuição. 
- Aumentar a população de Abetardas em algumas ZPEs para os efectivos existentes há 20 anos. 


Onde observar?
É nas planícies alentejanas que é mais fácil observar esta espécie. No Inverno formam-se bandos que podem reunir muitas dezenas de indivíduos.

- Beira interior: A abetarda é rara para norte do Tejo, sendo a campina de Idanha o melhor local da região para observar esta espécie.

- Lisboa e Vale do Tejo: Rara e irregular, não nidifica nesta zona; por vezes observa-se no estuário do Tejo (em especial na Ponta da Erva) durante os meses de Verão. 



- Alentejo: A região de Castro Verde reúne a maior concentração de abetardas do país e é o melhor local do território nacional para observar esta espécie; outros locais favoráveis para ver abetardas situam-se nas zonas de Cuba, Mourão, Elvas, Évora e Alter do Chãos.

 Fonte: Aves de portugal; ICNB.

quarta-feira, 25 de maio de 2011

A rapina mais rara de Portugal

A águia-Imperial (Aquila Adalberti) é uma ave soberba, de grandes dimensões, apresentando uma envergadura de asas que pode atingir os 2 m, que se encontra criticamente em perigo, ocorrendo, unicamente, como nidificante, em Portugal e Espanha.


Esta ave de rapina é exclusiva do Mediterrâneo Ocidental e uma das rapinas mais raras do mundo. Numerosas acções de conservação têm permitido a sua recuperação passando de 100 casais em 1995 aos actuais 230 de 2007.
Esta grande rapina nidifica em zonas de montado de azinho e sobro, estabelecendo os seus ninhos sobre a copa de grandes árvores e tem as suas áreas de caça em áreas de pasto, cereal ou matagais, onde captura as suas presas.
A diminuição da sua presa principal – o coelho (nomeadamente devido a doenças) assim como a fragmentação do seu habitat preferencial – os montados – são factores de risco para a espécie.

Identificação
A melhor forma de distinguir a águia-imperial centra-se na coloração dos ombros e da nuca, que são visivelmente brancos, na cauda mais pálida e nas asas mais rectangulares. Por vezes é designada por águia-imperial-ibérica, para permitir a distinção da sua congénere mais oriental.


Abundância e calendário

A águia-imperial é extremamente rara em Portugal e como nidificante tem uma distribuição muito localizada. Apenas a ocorrência de exemplares jovens na fase de dispersão, possivelmente oriundos de Espanha, pode alterar este padrão de distribuição, alargando assim a área de ocorrência. Sendo fundamentalmente residente, ocorre em Portugal durante todo o ano. No entanto, as águias-imperiais jovens são mais facilmente observáveis durante a fase de dispersão, que se dá entre os meses de Outubro e Fevereiro.

Onde observar
Considerando a raridade desta espécie, as expectativas de a conseguir observar devem ser niveladas por baixo.
- Beira interior: O melhor local é o Tejo Internacional;
Alentejo: A presença da águia-imperial nesta região parece ser irregular, mas a espécie pode ser vista esporadicamente na região de Barrancos e nas planícies de Castro Verde;
Algarve: A presença desta águia é regular na zona do cabo de São Vicente durante o Outono, sendo observadas principalmente aves jovens e imaturas durante os seus movimentos dispersivos.

Fonte: WWF Portugal; Aves de Portugal

sexta-feira, 6 de maio de 2011

Conservação da gralha-de-bico-vermelho

A forte regressão das gralhas-de-bico-vermelho a nível nacional e internacional, levou-a à sua inclusão na lista do Anexo I da Directiva Aves (79/409/CEE, alterada pela Directiva 85/411/CEE), a qual é destinada às espécies de aves de interesse comunitário cuja conservação requer a designação de zonas de protecção especial. A publicação do Livro Vermelho dos Vertebrados tem vindo a reflectir a regressão na distribuição da espécie, que de acordo com as categorias da UICN, em 1990 atribuiu-se-lhe o estatuto de “Vulnerável” e em 2006 a espécie passou a inscrever-se na categoria de “Em Perigo”. Uma estimativa fiável de 2007 apontava para a existência de 700 a 1000 indivíduos e de 140 a 285 casais reprodutores. As causas apontadas para a regressão da espécie parecem estar ligadas ao abandono do pastoreio extensivo e da agricultura tradicional, com a consequente desenvolvimento dos estratos herbáceos e arbustivos, à intensificação da agricultura associada ao uso de agro-químicos. Existe também a hipótese de haver alterações ao nível do sucesso reprodutivo da espécie que podem potenciar o seu declínio no médio longo prazo.



Conscientes da situação pouco favorável, em que se encontra esta espécie, a Quercus, com o apoio da Vodafone Portugal e da Cooperativa Terra Chã, iniciou em 2008 o projecto de “Conservação da Gralha-de-bico-vermelho na Serra dos Candeeiros” no âmbito do programa “Criar Bosques, Conservar a Biodiversidade 2008-2012”. O objectivo do projecto consiste em conservar a gralha-de-bico-vermelho (Pyrrhocorax pyrrhocorax) na serra dos Candeeiros, com recurso à manutenção e incremento de áreas de pastagens extensivas para o pastoreio de gado caprino, com condicionamento do encabeçamento, que se traduzam na melhoria do habitat de alimentação da espécie. Pretende-se igualmente fomentar actividades económicas que criem dinâmicas de desenvolvimento local ligadas aos produtos tradicionais e ao turismo de natureza. Este projecto tem a duração de cinco anos (2008-2012).



Identificação
As aves adultas são inconfundíveis, com o seu corpo preto, e patas e bico vermelhos, sendo este comprido e fino, e encurvado. Os mais jovens têm o bico amarelado. Geralmente gregárias, as
gralhas-de-bico-vermelho são bastante vocais, emitindo um som metálico bastante característico e fácil de identificar.


Abundância e calendário
A Gralha-de-bico-vermelho tem o estatuto de conservação de "Em perigo", tendo, em Portugal, uma distribuição muito fragmentada, estando presente em algumas zonas de falésias costeiras, em zonas montanhosas rochosas e vales fluviais escarpados. Sendo uma espécie essencialmente residente, pode ser encontrada durante todo o ano nos locais onde ocorre. É uma espécie bastante fiel aos locais de cria, sendo raramente observada fora da área normal de distribuição.



Onde observar
As áreas tradicionais de ocorrência são mais numerosas a norte que a sul.
- Entre Douro e Minho – Presente unicamente na serra da Peneda, mas em números baixos, pelo que a sua observação pode não ser muito fácil.

- Trás-os-Montes – Pode ser encontrada nos vales do Douro Internacional, nomeadamente junto a Miranda do Douro e na barragem do Picote. Também ocorre na serra do Alvão e na parte oriental da Serra do Gerês.

Litoral centro – Distribui-se pelas serras de Aire e Candeeiros.

Beira Interior – Irregular nesta região, ocorre esporadicamente na Serra da Estrela, onde deverá ter nidificado no passado.

Lisboa e Vale do Tejo – não ocorre habitualmente nesta zona, mas por vezes observa-se na Serra de Montejunto.

Algarve – o cabo de Sao Vicente é talvez o melhor local de observação desta espécie em Portugal, pela facilidade de detecção. Ocorre também em Sagres.


Adaptado de Aves de portugal e Quercus.

terça-feira, 19 de abril de 2011

O Mundo das Abelhas

As abelhas são insectos sociais que vivem em colónias. Elas são conhecidas há mais de  40.000 anos e as que mais se prestam para a polinização (Levam agarrado ao corpo o pólen para outras flores, possibilitando assim a reprodução das mesmas), ajudando enormemente a agricultura, produção de mel, geleia real, cera, própolis e pólen, são as abelhas pertencentes ao género  Apis.

Durante seu ciclo de vida, as abelhas passam por quatro diferentes fases: ovo, larva, pupa e adulto.


As abelhas são um animal laborioso, disciplinado e convive num  sistema de extraordinária organização: em cada colmeia existem cerca de 80.000 abelhas e cada colónia é constituída por uma única rainha, dezenas de zangões e milhares de operárias.  



As abelhas vivem em colónias muito bem organizadas em que os indivíduos se dividem em castas, possuindo funções bem definidas que são executadas visando sempre à sobrevivência e manutenção do enxame. Numa colónia, em condições normais, existe uma rainha, cerca de 5.000 a 100.000 operárias e até 400 zangões.


 A rainha tem por função a postura de ovos e a manutenção da ordem social na colmeia. A rainha adulta possui quase o dobro do tamanho de uma operária e é a única fêmea fértil da colmeia, apresentando o aparelho reprodutor bem desenvolvido. A capacidade de postura da rainha pode ser de até 2.500 a 3.000 ovos por dia, em condições de abundância de alimento. Ela pode viver e reproduzir-se por até 3 anos ou mais. 

A rainha consegue manter a ordem social na colmeia através da libertação de feromonas. Essas substâncias têm função atractiva e servem para informar aos membros da colmeia que existe uma rainha presente e em actividade. Servem ainda para auxiliar no reconhecimento da colmeia e na orientação das operárias. A rainha está sempre acompanhada por um grupo de 5 a 10 operárias, encarregadas de alimentá-la e cuidar da sua limpeza.

Quando ocorre a morte da rainha ou quando ela deixa de produzir feromonas e de realizar posturas, em virtude de sua idade avançada, ou ainda quando o enxame está muito populoso e falta espaço na colmeia, as operárias escolhem ovos recentemente depositados ou larvas de até 3 dias de idade, que se desenvolvem em células especiais - realeiras - para a produção de novas rainhas. A primeira rainha a nascer destrói as demais realeiras e luta com outras rainhas que tenham nascido ao mesmo tempo até que apenas uma sobreviva.

As operárias realizam todo o trabalho para a manutenção da colmeia. Elas executam actividades distintas, de acordo com a idade, desenvolvimento glandular e necessidade da colónia.


 Os zangões são os indivíduos machos da colónia, cuja única função é fecundar a rainha durante o voo nupcial. Eles são maiores e mais fortes do que as operárias, entretanto, não possuem órgãos para trabalho nem ferrão e, em determinados períodos, são alimentados pelas operárias. Em contrapartida, os zangões apresentam os olhos compostos mais desenvolvidos e antenas com maior capacidade olfativa. Além disso, possuem asas maiores e musculatura de voo mais desenvolvida. Essas características permitem-lhes maior orientação, percepção e rapidez para a localização de rainhas virgens durante o voo nupcial.

Os zangões são atraídos pelas feromonas da rainha a distâncias de até 5 km durante o voo nupcial. Durante o acasalamento, o órgão genital do zangão (endófalo) fica preso no corpo da rainha e rompe-se, ocasionando a sua morte.

 
Nota: Caros leitores, se alguma vez forem picados por uma abelha devem apertar com jeitinho para sair o ferrão e retirarem o ferrão com uma pinça. Para reduzir o inchaço podem colocar compressas de água fria.


quarta-feira, 23 de março de 2011

Esquilo-voador – Mais pára-quedista que aviador!

Filo: Chordata
Classe: Mammalia
Ordem:
Rodentia
Família: Sciuridae

Características Gerais
Comprimento: 25 cm. incluindo a cauda
Patas dianteiras: 4 dedos
Patas traseiras: 5 dedos com garras curvas e afiadas, cobertas de pêlo
Existem cerca de 40 espécies


Os esquilos-voadores, na verdade, não voam, até porque não têm asas, mas são peritos em planar. Pois é isso mesmo que fazem, para se deslocarem do topo de uma árvore ao de outra. Pulam da copa das árvores, esticando as pernas e, desse modo, abrindo as membranas que têm junto de cada lado do corpo, que se chamam patágios, fazendo lembrar uma capa resistente que sabe aproveitar as correntes de ar para se deslocar no ar sem cair nas malhas da gravidade. O patágio funciona como pára-quedas. O esquilo-voador não cai no chão de qualquer jeito. Ele usa a cauda como leme. Por isso, controla perfeitamente a direcção do seu vôo até ao ponto escolhido para a aterragem. A cauda também fica esticada e é usada como travão na hora da aterragem. 


A trajectória do esquilo-voador é para baixo, depois na horizontal e finalmente para cima. Têm sido registados vôos planados de mais de 45m. Um ponto de partida alto torna possível um vôo longo. 
 
Mas os esquilos voadores muito raramente descem ao solo, pois a sua membrana não lhes permite uma boa locomoção, deixando-os bastante vulneráveis a predadores.
Estes são animais nocturnos, tendo para tal olhos grandes e bem desenvolvidos.  
Alimentam-se de bagas, ovos de aves, cogumelos, insectos, nozes e também de aves jovens. 

sábado, 5 de março de 2011

Fauna portuguesa em perigo de extinção

A perda de biodiversidade em Portugal é elevada, o que significa que um número cada vez maior de espécies se encontra em vias de extinção. 42% das espécies de vertebrados estão ameaçadas e são os peixes de água doce e migradores que enfrentam as maiores dificuldades de sobrevivência. No nosso país, 19 espécies, 17 das quais aves, já foram extintas. Entre elas encontram-se o esturjão, o urso pardo e o falcão-da-rainha. A águia pesqueira está em perigo de desaparecer definitivamente porque só existe um macho no Sudeste alentejano. A cabra montês, por seu turno, reapareceu no Parque Nacional da Peneda-Gerês devido às medidas tomadas pela Galiza para o repovoamento da espécie e o esquilo, cuja situação há alguns anos atrás era preocupante, atingiu entretanto populações estáveis.

69% dos peixes, 38% das aves, 32% dos répteis, 19% dos anfíbios e 26% dos mamíferos estão em risco!
A destruição, a fragmentação ou a deterioração dos habitats são os factores que ameaçam a biodiversidade portuguesa e as estruturas edificadas pelo homem encontram-se na origem desta perda de território essencial para as espécies. Há, porém, outras ameaças que se têm mantido ao longo dos anos: a perseguição humana, as espécies invasoras, as doenças e os atropelamentos. O facto de existirem populações isoladas, também aumenta a sua probabilidade de extinção.

Mostro-vos agora, alguns exemplares em risco de extinção...
Abutre preto   Aegypius monachus
Encontramos esta espécie sobretudo na zona fronteiriça do Alentejo e Beira Baixa. Apesar de cerca de uma centena frequentar território nacional, não há registo de terem nidificado com sucesso, embora tenham construído plataformas para o efeito.

Aguia-imperial   Aquila adalberti 
Muito rara. A nível mundial só existe no sudoeste da Península Ibérica. A destruição dos seus habitats deve-se, por exemplo, à substituição dos bosques por pinheiros e eucaliptos, o que faz com já só haja menos de meia dezena de águias imperiais entre nós.


Cabra montês   Capra pyrenaica
Desapareceu do Gerês no final do século XIX, mas a Galiza apostou na protecção da espécie. Em 1999, reapareceu em Portugal. Encontramo-la em zonas montanhosas rochosas, florestas e matos temperados.

Cágado-de-carapaça-estriada   Emys orbicularis
Não se sabe ao certo quantos existem e, geralmente, são vistos isolados ou em pequenas populações. Estas encontram-se na zona de Vila Verde e na área do Douro Internacional. As zonas mais importantes para a espécie são os rios Mira, Arade e Guadiana.




Freira-da-madeira   Pterodroma madeira
Nidifica na parte oriental do maciço montanhoso central da ilha da Madeira e ainda existe devido aos esforços de conservação feitos pelo Parque Natural da ilha. A população deve variar entre os 60 a 75 casais reprodutores.

Lince-ibérico   Lynx pardinus
O declínio do lince ibérico é acentuado, sendo considerado uma espécie em pré-extinção. Embora se encontrem indicações da sua presença em Portugal, não há provas de aqui ainda residam alguns.

Lobo marinho   Monachus monachus
Esta espécie está circunscrita às Ilhas Desertas e Madeira. Nas últimas décadas, perdeu 80% da sua população. Considera-se que existam, actualmente, 25 animais, que habitam zonas de profundidade superior a seis metros.

Lobo   Canis lupus
Distribui-se pela região centro-este, em zonas de fronteira com Espanha. A destruição do seu  habitat e a injusta má fama puseram-no seriamente em risco de extinção entre nós. Já desapareceu no Alentejo, havendo apenas cinco populações com poucos indivíduos, em regiões montanhosas - Gerês, Alvão, Bragança, Montemuro e Malcata – onde a destruição é menor e o Homem tem menos facilidade de acesso.


Saramugo   Anaecypris hispanica
Este peixe ocorre apenas na bacia hidrográfica do rio Guadiana, em pequenos cursos de água de carácter intermitente, pouco profundos, vegetação aquática e fundos pedregosos.

Víbora-de-seoane   Vipera seoanei
Esta espécie existe no Minho e Trás-os-Montes. Encontra-se em zonas de lameiros, pastagens, prados e matagais. A perda de habitat e a repulsa que provoca nos humanos contribuem para a 


Para os mais interessados sobre o assunto, consultem o Livro Vermelho, da Assírio e Alvim e a Lista Vermelha de espécies ameaçadas, publicada anualmente pela União Internacional para a Conservação (UICN).

terça-feira, 1 de março de 2011

A imponência de um pavão

Os pavões são aves que encantam pela sua extrema beleza. Esta espécie é originária do Subcontinente indiano (Índia, Sri Lanca, Paquistão e Bangladesh), mas é, actualmente, mantida em cativeiro em muitas partes do Mundo. Os pavões-azuis em liberdade vivem em florestas abertas, florestas secundárias, pomares e campos de cultivo próximo de povoações, até aos 2000 metros de altitude. O pavão era considerado, em tempos muito antigos, como uma espécie de ser ou animal sagrado, existindo penas muito duras (condenação à morte) para aqueles que se atrevessem a ferir ou a matar uma ave desta espécie. 


Basta olharmos para o pavão-azul, que imediatamente nos encantamos com a sua cauda de cores e detalhes tão intensos. Não esqueçam que esta ave usa a sua beleza para chamar a atenção das fêmeas, e é claro, com esta atitude tem a clara intenção de promover o acasalamento. Durante este período ele emite sons estridentes dia e noite, por isso a sua permanência em ambientes muito habitados é bastante inconveniente.


Estes são animais que procuram alimento em pequenos bandos. Fora da época de nidificação, as fêmeas com crias separam-se dos machos. Gostam de se alimentar de sementes de plantas de cultivo, de bagas, figos silvestres, insectos, pequenos répteis e pequenos mamíferos.

O pavão-azul é considerado uma ave tipicamente ornamental, por este motivo ela pode ser facilmente encontrada em ambientes públicos como jardins, parques e praças repletas de árvores e extensas áreas verdes. Estas belas aves curiosas não são de fácil domesticação, gostam de lutas e não têm por habito a vida em grupos, preferindo o isolamento. Os seus sons  não são nada agradáveis e podem ser ouvidos a longas distâncias, mesmo quando estão fora do nosso campo de visão, eles usam os sons como uma espécie de alarme para avisar sobre a presença de estranhos, predadores, etc. As fêmeas costumam ser muito mais discretas, e isto inclui a sua plumagem de cores menos intensas, mas de grande beleza. Elas utilizam o seu leque apenas para a defesa do seu ninho espantando os predadores dos seus filhotes.


Os pavões-azuis têm esse nome devido ao azul intenso de parte do seu corpo, que parece ser brilhante ou fluorescente, ressaltando ainda mais em contraste com o seu leque colorido. À noite, o pavão prefere proteger-se em cima de árvores ou arbustos um pouco mais altos. De lá, ele emite os sons estridentes avisando as demais aves sobre a aproximação de predadores. A sua fama de conflituoso dá-se em função de seu instinto puramente territorial… Do género, “Meu Território, Minhas Regras!”. Exige através da luta árdua o afastamento do outro macho, especialmente se ele for da mesma espécie. Em caso de perder a batalha ele retira-se indo em busca de um novo território que possa ser somente seu, ainda que tenha que lutar novamente por isso.

  
Curiosidade
- A espécie não está globalmente ameaçada (segundo a União Internacional para a Conservação da Natureza) e é muito comum em cativeiro, a nível mundial.
 - Um pavão pode viver cerca de 30 anos, e medir cerca de 2 metros.

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

A vida de um morcego

Em Portugal existem 26 espécies destes mamíferos voadores, que variam muito no tamanho, aparência, comportamento e noutros aspectos da sua biologia.

Os morcegos alimentam-se de insectos, que caçam durante a noite. Algumas espécies capturam insectos voadores, outras conseguem apanhá-los no solo e em rochedos, paredes e plantas ou superfícies de águas calmas. Para poderem capturar estas presas, os morcegos têm um voo extremamente ágil. Ainda que tenham boa visão, durante a noite utilizam principalmente o seu sistema de ecolocação que consiste na localização dos objectos e presas através dos ecos de ultra-sons que emitem pela boca e pelo nariz.
Na Primavera dão à luz uma única cria, que cresce rapidamente. Durante os meses quentes do ano, acumulam grandes quantidades de gordura, que serve de reserva alimentar para o Inverno. Durante o Inverno a maioria dos morcegos hibernam por longos períodos devido à falta de alimento. Este ciclo repete-se ao longo dos cerca de 30 anos que estes pequenos animais chegam a viver. Esta longevidade é surpreendente tendo em conta as suas pequenas dimensões. Os morcegos da nossa fauna variam entre 3 a 10 cm de comprimento.



Algumas espécies abrigam-se quase exclusivamente em grutas, minas e outros subterrâneos. Outras preferem pequenas cavidades nos troncos das árvores, como ninhos de pica-pau abandonados. Há também espécies que se abrigam em casas e igrejas, em geral em salas pouco perturbadas, no forro, na cave, ou em escoaços apertados (entre telhas, etc). Não ocupam em geral o mesmo abrigo ao longo de todo o ano, chegando por isso a fazer migrações com centenas de quilómetros.
 
Os morcegos são olhados como mau presságio e ligados a bruxas e lendas, como a do Conde Drácula. Há também uma crença de que se emaranham nos cabelos. Na verdade, os morcegos são inofensivos e não causam prejuízo. São até muito úteis pois destroem grandes quantidades de insectos, combatendo pragas agrícolas e florestais e vectores de doenças. Numa noite, um morcego pode comer mais do que o seu próprio peso em insectos! O tipo de voo varia com a espécie, correspondendo a diferentes comportamentos de caça.


Tal como no resto da Europa as populações de muitas das nossas espécies têm vindo a diminuir, havendo em Portugal  9 em perigo de extinção. 

A destruição ou perturbação dos vários tipos de abrigos é um dos factores responsáveis pela diminuição das populações de morcegos. O abate de velhas árvores restringe os abrigos disponíveis para as espécies arborícolas. As espécies cavernícolas são as mais afectadas, devido à grande concentração dos indivíduos num número reduzido de abrigos. É por esta razão que a maior parte das espécies cavernícolas está em perigo. Em edifícios, nem sempre são bem recebidos. São mortos ou obrigados a abandonar os seus abrigos. São também afectados por alterações dos habitats e aplicação de pesticidas. Por serem muito úteis e estarem ameaçados os morcegos estão protegidos por lei.  



Conservação
Portugal foi um dos primeiros países europeus a ter um plano de conservação dos morcegos cavernícolas, espécies particularmente ameaçadas. Esta publicação - Palmeirim, JM & Rodrigues L 1992 – Plano Nacional de Conservação dos Morcegos Cavernícolas Estudos de Biologia e Conservação da Natureza 8 será em breve disponibilizada em formato pdf. Está previsto que o plano seja revisto nos próximos anos.
As medidas de conservação já implementadas incluem: (1) inclusão dos abrigos mais importantes na Lista Nacional de Sítios designada para a Rede Natura 2000, (2) programa de monitorização anual dos abrigos de criação e hibernação mais importantes, (3) vedação de cinco abrigos de importância nacional, (4) estabilização do tecto de um abrigo, (5) construção de dois abrigos artificiais para compensar a destruição de duas galerias de minas que albergavam morcegos, (6) corte de vegetação em redor das entradas dos abrigos, e (7) protecção de minas abandonadas compatível com o seu uso continuado pelos morcegos.


Para os observadores:
Pequeno Guia dos morcegos de Portugal - Custa apenas 3,00€


 Adaptado de (Texto de Luisa Rodrigues e Jorge Palmeirim; Ilustrações de Alexandra F. Almeida e Pedro Casaleiro; «Morcegos», uma publicação do ICNB - Instituto da Conservação da Natureza e Biodiversidade)