segunda-feira, 20 de setembro de 2010

A minha primeira onça…

Caros amigos, seguidores e amantes da natureza...

Durante todo o Verão, fiz do Pantanal minha casa e apaixonei-me lá por uma das mais magnificas criaturas que o Planeta algum dia abrigou… O maior felino das Américas, a majestosa onça-pintada (Panthera onca)!

Durante cerca de três meses, sonhei dia e noite por ver a bela onça-pintada no seu habitat natural. Dia após dia, esta vontade tornara-se quase uma obsessão…


Foto: Germano Schüür

Durante o trabalho de campo que fazia, tive oportunidade de ouvir o “esturro” (O esturro é utilizado na comunicação entre indivíduos) deste poderoso animal muitas e variadas vezes… O esturro da onça é poderoso e intimida qualquer um que esteja por perto. Hoje em dia, na região do Pantanal a quantidade de indivíduos desta espécie aumentou e os animais perderam o medo de chegar perto das poucas habitações existentes. Muitas foram as vezes, que entrámos mato adentro, em busca de ninhos de arara-azul e muitas foram também as vezes que vimos em árvores as marcas das suas garras e ouvimos o seu “esturro” bem perto. Quando a ouvia, o meu coração tremia… Queria imenso ver uma, mas muito era o receio e o medo de a podermos encarar de frente sem qualquer tipo de defesa, durante os nossos trabalhos de campo. Não é verdade muitas das conversas que ouvimos acerca de que as onças comem Humanos… É verdade, que a dieta deste animal se baseia em diversos tipos de mamíferos, mas os Humanos não estão concerteza no seu menu diário, no entanto, se ela se encontrar com crias, estiver a defender uma presa que caçou ou se sentir ameaçada, aí ela ataca! E quando a onça-pintada ataca, ela vem p´ra cima com tudo, já diziam os velhos sábios Pantaneiros! Quando falamos da onça-pintada é bom referir que, de todos os felinos ela é a mais agressiva!!

Depois de quase três meses, quase de regresso a casa e já sem qualquer esperança de ver este lindo animal o inesperado aconteceu! Consegui ver não uma, mas sim duas onças-pintadas que formavam um belíssimo casal! Foi delirante… O êxtase foi tanto que eu só queria olhar mais e mais para ter a certeza que aquela imagem jamais algum dia me pudesse sair da cabeça.

Creio que aquela imagem jamais desaparecerá da minha mente…

A onça-pintada deve ter sido dos animais mais lindos que já algum dia tive oportunidade de ver em estado selvagem… A sua coloração é fascinante! Ela possui tons de amarelo bem claro a amarelo acastanhado, com o corpo revestido por pintas negras que podem formar rosetas grandes, médias ou pequenas. Esta mistura dá-lhe uma beleza sem igual… permitindo-lhe ainda ser confundida com o ambiente.

Para além da beleza, existem mais coisas que fazem desta espécie um exemplar magnífico! Este carnívoro para além de muito belo é também muito ágil, silencioso e paciente. Ele sobe ás árvores, é um excelente nadador, saltador e caçador, tendo também os sentidos muito aguçados.


Onça-pintada deitada na região do Pantanal de Miranda, Brasil

O casal de onças-pintadas que vi estava assim como esta... bem deitado!

Jamais esquecerei a magia daquele momento...

terça-feira, 13 de julho de 2010

Deslumbre-se com o encanto do maior roedor herbívoro do mundo!

Um dos animais que mais me tem fascinado aqui no Pantanal tem sido a capívara. Para além de muito engraçados estes animais possuem hábitos bastante interessantes. Quero então partilhar com vocês algumas das características deste belíssimo roedor!


A capívara, Hydrochaeris hydrochaeris é uma espécie de fauna brasileira de grande importância económica e social, que pode ser encontrada por quase todo o território Brasileiro.
As capívaras são animais que vivem em grupos familiares que podem atingir os 20 ou mais indivíduos, que normalmente é composto por um macho dominante, várias fêmeas adultas com filhotes e outros machos subordinados.


É relativamente fácil conseguirmos distinguir os machos das fêmeas na natureza. Os machos são fáceis de distinguir por terem uma grande glândula sebácea sobre a cabeça, que utilizam para demarcar a sua dominância através do cheiro. Estes roedores podem ser encontrados próximo da água, em florestas ao longo de rios e em lagoas. Elas alimentam-se de erva e de vegetação aquática.

É uma excelente nadadora, tendo inclusive pés com pequenas membranas. Quando estão em perigo ou se sentem ameaçadas, as capívaras utilizam a água como refúgio, mergulhando e nadando sob a superfície até se sentirem seguras ou até terem escapado do perigo. Elas reproduzem-se também dentro de água e são excelentes nadadoras podendo permanecer submersas por vários minutos. Elas são também conhecidas por dormirem submersas com apenas o focinho fora de água.


Aqui no pantanal, pelo que tenho observado os seus principais períodos de actividade são pela manhã e à tardinha (normalmente sempre do lado onde o sol se põe), mas em áreas mais perturbadas podem tornar-se exclusivamente nocturnas.


Venham conhecê-las!

terça-feira, 22 de junho de 2010

Conheça o felino mais ameaçado de todo o mundo

O lince-ibérico é actualmente o felino mais ameaçado do Mundo, tendo sofrido um processo de regressão acentuada desde o século XIX até ao início do século XXI. Porém, graças a um conjunto crescente de projectos que visam a sua conservação, parece estar a iniciar-se a sua recuperação.

Classificação e morfologia

O lince-ibérico, Lynx pardinus, é uma espécie de carnívoro que pertence à família Felidae. Este trata-se de um animal de dimensões médias, cujo comprimento varia entre 90cm e 120cm e que pesa 9-10Kg, no caso das fêmeas, e 12-14Kg no caso dos machos. Possui uma cabeça pequena em proporção com o corpo e os seus membros robustos terminam em patas com quatro dedos equipados com unhas, que pode recolher completamente.

Possui uma pelagem castanho-amarelada com manchas pretas, que lhe permite passar despercebido no seu ambiente natural, e apresenta como características inconfundíveis a cauda curta com a ponta negra, um conjunto de pêlos compridos nas extremidades das orelhas – os pincéis – e umas patilhas de longos pelos pretos e brancos de ambos os lados do focinho que se assemelham a barbas.

Biologia e Ecologia

O lince-ibérico ocorre apenas na Península Ibérica onde actualmente habita zonas que combinam áreas ricas em arbustos, onde encontra abrigo, e áreas mais abertas – que lhe proporcionam alimento. É uma espécie considerada especialista de habitat porque a sua presença está, na maioria dos casos, associada a áreas de matagal mediterrânico.

Trata-se de uma espécie solitária - os machos e fêmeas adultos só contactam na época de acasalamento – e territorial – os machos adultos ocupam áreas exclusivas que defendem uns dos outros, tal como acontece com as fêmeas. No entanto, os territórios de machos e fêmeas podem sobrepor-se.

Tal como acontece com o habitat, a espécie é também uma especialista em termos alimentares porque alimenta-se maioritariamente de coelho-bravo - um lince adulto necessita de ingerir diariamente o equivalente a um coelho-bravo. Em áreas ou em alturas em que a abundância de coelho é baixa, o lince caça também outros tipos de presas, como roedores, gamos, lebres, patos ou perdizes, ainda que prefira manifestamente o coelho.


A época de reprodução do lince tem um pico entre Dezembro e Janeiro. As crias, em número de 2 a 4, nascem depois de dois meses de gestação em cavidades naturais como troncos ocos de árvores de grandes dimensões ou cavidades rochosas, onde permanecem até aos dois meses de idade. Nessa altura, começam a acompanhar a mãe nas suas deslocações diárias até atingirem 1-2 anos de idade, quando dispersam, isto é, abandonam a progenitora e iniciam a procura do seu próprio território.

Medidas de Conservação em Portugal

Em território português as medidas de conservação do lince-ibérico são implementadas em Sítios da Rede Natura 2000 inscritos na área de ocorrência histórica da espécie e no âmbito de diversos projectos levados a cabo por diferentes entidades.

A aplicação de medidas de recuperação de habitat e das populações de presas no lince encontra-se também a decorrer na Reserva Natural da Serra da Malcata pelo Instituto da Conservação da Natureza e da Biodiversidade que promove também um projecto de cariz semelhante e demonstrativo no Parque Natural do Vale do Guadiana e no Sítio Rede Natura 2000 com o mesmo nome ao abrigo de uma iniciativa denominada VALLIA – Valorização e Qualificação do Habitat do lince-ibérico no Alentejo.

Com o objectivo de criar um corredor de habitat mediterrânico adequado à conservação do lince-ibérico, a Liga para a Protecção da Natureza está a levar a cabo o Programa Lince, implementado ao abrigo do projecto LIFE “Recuperação do habitat do lince-ibérico no sítio de Moura/Barrancos” a que dá continuidade o Projecto LIFE + “Promoção do Habitat do Lince-ibérico e do Abutre-preto no Sudeste de Portugal”, e na Serra do Caldeirão.

Para além de todas estas acções no terreno, a conservação do lince-ibérico passa também reprodução da espécie em cativeiro, que a nível nacional está a ser levada a cabo no Centro Nacional de Reprodução do Lince-ibérico.

Filipa Alves - Naturlink

sábado, 12 de junho de 2010

Conheça de perto o Projecto Arara Azul...

O Projecto Arara Azul nasceu quando Neiva Guedes, fazia prática de campo de um curso de conservação da natureza que frequentava e se deparou com cerca de 30 araras azuis pousadas no ramo de uma árvore que lhe despertaram uma paixão e sentimento muito especiais. Quando soube através do seu professor que a espécie corria sérios riscos de extinção devido às fortes ameaças que enfrentava, Neiva decidiu meter mãos à obra por iniciativa própria e inverter esta situação, criando pouco mais tarde, o Projecto Arara Azul. Este projecto funciona sem interrupções desde Janeiro de 1990 e estuda a biologia da espécie, realiza o manejo e promove a conservação da mesma no seu ambiente natural. O projecto tem como objectivos gerais, promover a conservação desta espécie no seu habitat natural, mantendo populações viáveis de araras azuis, sem riscos de extinção a médio e longo prazo de modo a que as gerações vindouras possam também ter o prazer de a contemplar na natureza.


Arara-Azul (Anodorhynchus hyacinthinus)

A Arara Azul possui grande longevidade podendo atingir os 35 anos em estado selvagem e os 60 ou mais anos em cativeiro. Tem preferência por habitar áreas alagadas, matas constituídas por palmeiras e áreas de pasto, sendo ambos estes locais áreas abertas.

Quanto à sua morfologia, esta espécie é considerada o maior psitacídeo do mundo, chegando a atingir até um metro de comprimento, sendo o seu peso variável, podendo chegar aos 1.7 kg. Esta ave é coberta por plumagem azul-cobalto, sendo as penas na face interior das asas e da cauda de cor preta. Possui ainda um amarelo intenso em torno dos olhos, formando um anel e uma fina faixa na base da mandíbula que lhe confere um aspecto muito peculiar. O seu bico é grande, parecendo maior que o próprio crânio, muito forte, curvo e de cor preta. A Anodorhynchus hyacinthinus é uma ave altamente especializada no que respeita à sua alimentação, sendo a sua dieta altamente energética, baseada em sementes de dois frutos, o acurí (Scheelea phalerata) e a bocaiúva (Acrocomia aculeata).

A época reprodutiva da espécie ocorre entre Setembro e Outubro, estando preparadas para iniciar a sua vida reprodutiva entre os 7 e os 9 anos de idade. O local preferido para os ninhos, são as árvores de manduvi. As araras-azuis têm baixa taxa reprodutiva, pois a postura anual é apenas de 1 a 2 ovos e normalmente apenas uma cria sobrevive devido à escassez de alimento.

A Arara Azul possui alto grau de socialização, vivendo em família, bandos ou grupos de 10 a 30 araras que podem ser facilmente observadas nos locais onde se alimentam, e nos dormitórios onde se agrupam ao final do dia. Esta espécie é ainda muito apreciada pela vocalização e interacção existente entre os indivíduos, pela sua curiosidade e pela forma como convivem umas com as outras, sendo muito normal encontrarmos araras a brincar. As araras são também aves extremamente fiéis para com o seu parceiro, dividindo ainda todas as tarefas que impliquem as crias.


Acções executadas pelo projecto Arara Azul:

- Manejo de ninhos naturais e artificiais;
- Manejo, recuperação e instalação de ninhos artificiais;
- Monitorização de ninhos, ovos e filhotes;
- Observação de comportamento;
- Incubação de ovos;
- Envolvimento da população e Educação ambiental;
- Turismo de observação;
- Treinamento;
- Estudos com outras espécies;
- Divulgação;
- ...

Para conhecer mais sobre o projecto Arara Azul visite: http://www.projetoararaazul.org.br/Arara/

segunda-feira, 3 de maio de 2010

We are all one

"Aqui, deixo-vos um filme que precisamos todos de ver...ver.... e ver....tantas e quantas vezes forem necessárias, até termos a consciência de que tudo está interligado. Afinal somos uma Família!"

"Não é religioso...não é científico....não é espiritual. Ele, simplesmente, É...!!!"
"Que ironia! O Homem, “Rei da Criação”, que pela sua complexidade cerebral se encontra no topo da Pirâmide da Vida, com toda a sua capacidade intelectual, a sua ciência, a sua tecnologia, está a preparar-se para voltar a submeter-se às forças cegas implacáveis, prepara-se para regressar ao nível de bactéria...” (José Lutzenberger in “Fim do Futuro?”).
"É nossa responsabilidade e nosso dever tomar conta de todas as formas de vida"

domingo, 2 de maio de 2010

A otária... Uma viajante de longas distâncias

A otária, cuja existência tem sido ameaçada pela caça intensiva, está hoje protegida em muitas regiões. O seu pêlo espesso e brilhante é castanho, preto ou cinzento e, às vezes, pode ter uma combinação destas três cores. A otária tem a testa alta e o focinho mais pronunciado que outras espécies (como a foca da Califórnia). De pescoço longo e musculoso, a otária tem cauda curta e pés alongados que servem de remo.


Várias centenas de milhares destas focas vivem ao largo das costas da África, Nova Zelândia, Austrália e ilhas Galápagos. As otárias não são migratórias, mas empreendem longas viagens de até 1 300 km em busca de alimento.

Em novembro, na época do acasalamento, as otárias reúnem-se em grandes grupos (cinco ou dez fêmeas formam um harém). Após uma gestação de onze meses, nascem os filhotes, geralmente um único por ninhada (pesando cada um cerca de 7 kg).


Porque é que a otária opta por se 'colar' ao tubarão?

As otárias não vêem algumas tonalidades mas conseguem distinguir com grande precisão todos os pormenores, incluindo os dentes afiados do tubarão-branco. Perante a inevitável perseguição, as otárias têm duas hipóteses: ou nadam em ziguezague para despistar o predador ou optam pela táctica 'no tubarão', que consiste na maior aproximação possível do dorso do predador. Embora esta opcção nem sempre seja bem sucedida, o facto é que o tubarão não se consegue distanciar da otária, de modo a capturá-la, o que o leva a desistir.

domingo, 18 de abril de 2010

Paixe-aranha - O nosso "amigo" de Verão

Pois é, já quase todos ouviram falar deste exemplar animal, mas poucos o conhecem...

O peixe-aranha (Echiichthys Vipera) é um pequeno peixe que vive em habitats arenosos. É carnívoro (alimenta-se de pequenos invertebrados e peixes), tem uma cor castanha amarelada com pontos castanhos mais escuros. Possui cinco espinhos venenosos na região dorsal (de cor preta) e mais dois sob os opérculos (parte óssea que protege as brânquias) com os quais se defende de possíveis inimigos.



Pode ser encontrado ao longo das costas do sudoeste europeu e do nordeste africano, parcialmente enterrado na areia, abaixo da linha da maré.


- Qual é o seu grau de perigosidade?

Muito elevado!!! Os sintomas gerais são, muitas das vezes, severos. A pessoa atacada encontra-se muitas vezes angustiada pela severidade da dor, a qual é desproporcional aos sinais clínicos. Este estado de stress pode chegar a um estado de delírio, mau-estar (indisposição), náuseas, vómitos e suores, podem estar associados a uma elevação da temperatura e leucocitose (aumento dos glóbulos brancos). Ocasionalmente pode ocorrer choque cardiogénico e, mesmo a morte.


- Este peixe aparece mais na altura do Verão ou Inverno?

Torna-se mais visível pela altura do Verão que é a altura da sua reprodução.


- Que tipo de cuidados é necessário ter ao encontrá-lo ou manuseá-lo?

Dentro de água não se deve tentar afugentá-lo com objectos, pois este pequeno peixe faz investidas contra a pessoa que o tenta afugentar. Ao apanhá-lo com uma cana de pesca, deve ter-se o cuidado de não tocar nos espinhos, quer dorsais, quer dos opérculos. Caso a pessoa seja picada, deve permanecer deitada de costas e deve ser tranquilizada, enquanto que a área afectada deve ser mantida elevada.



Olha bem para este peixe e imagina o azar daquele que pisar as suas costas!!